Violência Contra as Mulheres

Após a conclusão e encerramento do projecto IAIÔ - Integração, Autonomia e Igualdade de Oportunidades - em 2003 (vide projectos) financiado pelo extinto Comissariado de Luta contra a Pobreza e com a celebração de um acordo atípico com a segurança social que foi dado inicio na sua execução em 2006, sentiu-se como necessário avaliarmos a nossa intervenção e seu impacto assim como de perceber e actualizar dados sobre as nossas utentes.
Apesar de terem beneficiado dos serviços do Centro Atendimento Mulher - CAM ao longo do ano de 2006 381 utentes, este estudo refere-se somente à análise de 263 utentes.

Para ter acesso ao relatório completo, contacte-nos através do emali: umar.almada@sapo.pt

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A amostra que visamos analisar no presente estudo é composta pelo conjunto de pessoas que recorreram aos serviços do Centro Atendimento Mulher - Almada, no ano civil de 2006, via presencial. Note-se que, no atendimento presencial foram tidas em consideração todas/os as/os utentes que recorreram aos serviços pela primeira vez (“novas utentes”) e todas/os aquelas/es que, já recorrendo em anos anteriores, voltam a solicitar apoio (“recorrentes”).

Definidos os critérios que estiveram na base da contabilização do número de utentes, e atendendo às variáveis sócio-demográficas, a amostra é composta por 263 utentes, 100% do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 17 e os 77 anos (média etária correspondente a 37 anos de idade) maioritariamente residentes na Península de Setúbal (251). A amostra integra ainda no seu conjunto diferentes níveis de escolaridade, desde o analfabetismo até à Licenciatura, sendo que constatamos uma discrepância entre as idades e as habilitações escolares uma vez que a maioria apresenta níveis de escolaridade superiores ao exigido para a média de idades da nossa amostra (3º ciclo - 26%, quando a média de idades corresponde aos 37 anos, cuja escolaridade obrigatória era o 2º ciclo). No que concerne ao estado civil, 48% são casadas, 35% solteiras, 15% divorciadas e 2% viúvas. À data do atendimento, das 263 utentes que recorreram aos serviços em 2006, 217 encontravam-se a viver relações de intimidade (casamento, união de facto e/ou namoro), pelo que 46 utentes reportam situações de violência perpetradas por ex-companheiros, ex-namorados, ex-maridos ou outros (progenitores e outros familiares - 17).
Por último, no que concerne à situação profissional da amostra recolhida verificamos que cerca de 55% encontra-se activa no mercado de trabalho, desempenhando sobretudo actividades ligadas ao sector terciário - serviços.

O presente estudo teve como instrumentos base de recolha dos dados a serem analisados duas fichas de atendimento criadas, em meados de 2004, pela equipa técnica do Centro Atendimento Mulher da UMAR Almada - Ficha de Triagem e Ficha de Atendimento.

A Ficha de Triagem foi sobretudo utilizada na contabilização do número de chamadas recebidas no ano civil 2006 a solicitar marcação de atendimento numa situação de violência nas relações de intimidade ou a solicitar informações e encaminhamentos. Esta ficha visa acima de tudo possibilitar a pré-avaliação do risco a que as referidas utentes se encontram submetidas, com vista a uma maior compreensão por parte da equipa técnica no que concerne à urgência dos atendimentos. Esta necessidade em ver discernidas situações permanentes das situações de risco surge na necessidade de reorganização da equipa com vista a evitar uma sobrelotação dos serviços
Assim sendo, todas as outras informações obtidas basearam-se nos dados recolhidos através da Ficha de Atendimento, utilizada pela equipa técnica nos referidos atendimentos.
O período de recolha dos dados decorreu entre os dias 01 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2006. Finda a etapa da recolha dos dados, procedemos à sua contabilização e análise estatística, sendo para tal utilizadas bases de dados em programa Excell co-construídas pela equipa ao longo do ano.
Atendendo-se aos dados aferidos através destes instrumentos, o presente estudo assumirá uma natureza quantitativa e qualitativa (análise de conteúdo) onde se pretende realizar as seguintes análises estatísticas:

  1. Análise dos dados sociodemográficos das Utentes, das/os filhos e dos Agressores
  2. Análise da tipologia de vitimação e suas características
  3. Análise da compreensão das vitimas relativamente à sua história de vitimação na conjugalidade
  4. Análise dos recursos sociais procurados pelas vitima
  5. Avaliação da intervenção do Centro Atendimento Mulher

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