Observatório de Mulheres Assassinadas

2007

A UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta vem divulgar os dados referentes ao Observatório de Mulheres Assassinadas de 2007 e a comparação com os anos anteriores, desde 2004.
Em 2007, morreram 21 mulheres, vítimas da violência de género nas relações de intimidade, às mãos de maridos, companheiros, namorados, ex-maridos, ex-companheiros e ex-namorados.
Como se pode observar pelo gráfico abaixo apresentado, 71% dos homicidas mantinham ainda uma relação de intimidade com a vítima, sendo que 19% essa relação estava quebrada. No entanto, o fim da relação não impediu que os agressores tivessem continuado a perseguir a vítima até à morte. Para alguns homens, « até que a morte nos separe » é levado literalmente.

Para além das 21 mulheres assassinadas, foram igualmente vítimas de homicídio 3 pessoas (vítimas associadas), duas crianças, uma de cada sexo, e uma jovem de 21 anos.

Mais ainda, 57 mulheres foram vítimas de tentativas de homicídio, associando-se a este número mais 6 pessoas (vítimas associadas), incluindo, filhos e pais das vítimas.
Mais uma vez, a UMAR vem afirmar como a violência doméstica é letal, não apenas para as mulheres, mas também para as suas crianças, família alargada, vizinhos, no fundo para a sociedade em geral.
São números brutais que nos obrigam a prestar atenção redobrada ao problema social da violência doméstica contra as mulheres.

Relativamente à idade das vítimas, podemos observar no gráfico que, no que se refere aos homicídios, o maior número se concentra nas idades entre os 36 e os 50 anos, seguida da idade entre os 24 e os 35 anos. Mulheres na maturidade dos seus percursos, brutalmente arrancadas à vida por alguém que, na maior parte dos casos, as brutalizava de há longa data e levou as ameaças até ao fim. Nas tentativas de homicídio, sendo também a faixa etária dos 36 aos 50 anos que regista o maior número de vítimas, é seguido pelas mulheres maiores de 51 anos, na sua maioria, vítimas de maus tratos há décadas.

É pois face a estes números brutais que a sociedade enquanto tal se tem de mobilizar para prevenir toda a violência doméstica contra as mulheres nas relações de intimidade, prevenindo que a situação venha a ter um desenlace assim fatal.

Podemos afirmar, a partir dos dados que obtivemos até ao momento, a não identificação de um perfil de agressor, já que os agressores se distribuem por diversas faixas etárias, diferentes classes sociais, distintas habilitações, são urbanos e rurais, de diferentes culturas e etnias.

Combinando homicídios e tentativas, podemos observar no gráfico abaixo, as idades situam-se, para os homicídios, entre os 24 e os 35 anos, sendo que para as tentativas, é fundamentalmente entre os 36 e os 50 anos que encontramos o maior número de agressores.

Relacionando com os anos anteriores, podemos observar as idades dos agressores:

No que se refere aos distritos onde ocorreram os homicídios e as tentativas, podemos observar o gráfico abaixo.

Assim, foi Lisboa (13), em Aveiro (12), Porto (7) e Santarém (7), onde ocorreu maior número de tentativas, tendo sido em Lisboa (6), Setúbal (5), Porto (2), e Leiria (2) os distritos onde ocorreram mais homicídios.
Embora, seja necessário equacionar relativamente ao número da população de cada distrito, também sabemos que estes homicídios e tentativas são ainda uma aproximação por defeito, sendo uma realidade à qual ainda não temos acesso na sua globalidade.

No que se refere à distribuição pelos meses do anos e tendo em conta os homicídios de 2004 a 2007, podemos observar que, em 2007, o mês mais fatídico foi Julho, com 6 mortes, 4 vítimas directas e 2 vítimas associadas, sendo que em 2006 foi Maio com 8 mortes, seguido de perto de Setembro, com 7, no ano de 2005, foi igualmente Julho com 5 mortes, seguido de perto por Agosto e Setembro com 4 mulheres assassinadas e, em 2004, foi Agosto que registou o maior número de homicídios, 8 mortes.

4

3

5

0

12

4

3

1

2

10

2

2

0

1

5

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3

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1

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7

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5

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3

3

1

11

0

4

2

1

7

3

1

0

2

6

Segundo indicam os dados, os meses de Verão, Julho, Agosto e Setembro, são sangrentos para as mulheres em consequência deste tipo de violência.