No Dia Mundial do Direito das Mulheres ao Aborto Livre e Seguro, UMAR denuncia:

CONTINUAM OS ATAQUES AO DIREITO DE OPÇÃO DAS MULHERES

Há muito que se sabia que à porta de clínicas e hospitais onde é possível legalmente fazer uma interrupção voluntária da gravidez, no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS), existem grupos de fundamentalistas anti-escolha que se dirigem às mulheres, pressionando-as para que não façam o aborto.

Contudo, um apelo recente de uma mãe dirigido à UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta confrontou-nos com uma situação inadmissível num país que aprovou uma lei que garante a liberdade de uma mulher poder decidir interromper, com segurança, uma gravidez não desejada.

Uma jovem de 19 anos, já mãe de uma criança de 6 meses, ficou grávida e recorreu ao SNS que a enviou para Clínica dos Arcos, em Lisboa. Após ter marcado a data da intervenção foi abordada, à saída da clínica, segundo palavras da jovem "por uma senhora da igreja" que lhe distribuiu propaganda aterradora. Mais: estando a jovem numa situação de grande vulnerabilidade foi persuadida a recolher a uma casa de acolhimento, ligada ao Ponto de Apoio à Vida.

Enquanto esteve na casa de acolhimento, cerca de uma semana, a jovem foi sujeita a sessões de pressão psicológica em que lhe diziam que não podia abortar porque "iria matar uma criança" e era "Deus que mandava as crianças". Apesar da mãe se dirigir à instituição e da filha revelar que queria sair, foi-lhes dito que tal não poderia ser feito sem autorização da directora da casa, e que a mesma não estava presente.

No dia em que estava marcada a interrupção da gravidez na clínica, a jovem foi retida numa sala da 'casa de acolhimento' durante a manhã, com uma "psicóloga". Antes da mãe chegar à instituição, como combinara, levaram a jovem para um consultório médico desconhecido para ela visualizar o feto de 8 semanas e "ouvir o coração do bebé". Sabendo que a interrupção da gravidez seria às 16h retiveram-na nesse consultório até às 18h e, só perante a insistência da mãe trouxeram de novo a jovem para a instituição, de onde saiu com a mãe muito assustada e nervosa, com sentimentos de culpa e num estado de grande fragilidade emocional.

A UMAR, a pedido da mãe, está a acompanhar a situação garantindo apoio psicológico à jovem, para que ela possa decidir livremente o que quer fazer. Omite-se a identificação da jovem para evitar que a mesma seja vítima de chantagem.

No dia 28 de Setembro, assinala-se o Dia Mundial pelo Direito das Mulheres ao Aborto Seguro.

É inadmissível que existam instituições subsidiadas pelo Estado que actuem desta forma, atentando contra o direito das mulheres à livre escolha, no âmbito da lei portuguesa que lhes garante direitos sexuais e reprodutivos.

A UMAR denúncia a campanha que continua a ser feita por grupos de fanáticos com base em propaganda aterrorizadora e desinformada e recorda que o direito à Interrupção Voluntária da Gravidez está previsto na lei. Contra a pressão dos fundamentalistas, continuaremos a estar ao lado das mulheres e do seu legítimo direito a uma maternidade livre e responsável.

Lisboa, 27 de Setembro de 2013