facebook1  instagram-logo1

Newsletter

nao assedio


livro-reclamacoes-170x70-1
8 DE MARÇO UM GRITO DE REVOLTA PELA DEFESA DA PAZ E DA NOSSA CASA COMUM - O PLANETA TERRA
No dia 8 de março a UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta vai estar nas marchas e manifestações contra todo o tipo de discriminações, na luta contra o machismo, o racismo, a lesbofobia, solidarizando-se com as mulheres de todo o mundo, na greve feminista e em todas as ações que defendam os nossos direitos.

Insurgimos-nos contra a guerra e a invasão da Ucrânia e contra este sistema de guerra permanente em que vivemos, com conflitos localizados em regiões que são sacrificadas em prol da acumulação de poder por parte das superpotências. Como tem acontecido em muitos outros lugares do mundo, são sempre os povos, especialmente as mulheres, as pessoas LGBTQIA+, racializadas, as crianças e as pessoas mais velhas quem mais sofrem, devido ao mesmo sistema patriarcal que manda os homens para as guerras e que os mata. O mesmo sistema legitimado pela NATO, que vê nesta guerra uma oportunidade para se reforçar e para defender a corrida ao armamento, cujos gastos serão pagos por todas e todos nós. Bem sabemos que aqui não há "maus", nem "bons" mas sim interesses políticos, militares e económicos que são colocados à frente de vidas humanas e da vida do planeta.


Manifestamos, por isso, a nossa solidariedade com o povo ucraniano e com todos os povos forçados a abandonar as suas casas e a procurar refúgio noutros países devido à ganância dos estados imperialistas. Solidarizamo-nos com as/os habitantes da Rússia que reúnem esforços para condenar a invasão, e que estão persistentemente a sofrer consequências pelos seus protestos. Mais do que as poderosas oligarquias da Rússia, será o povo russo quem mais vai sofrer com as sanções internacionais.

Neste 8 de março, queremos lançar um grito de revolta também contra quem destrói o nosso planeta - a nossa casa comum. Os governos movidos por grandes interesses económicos, que dominam o sistema em que vivemos, fingem preocupar-se com a emissão de gases com efeito de estufa, que resultam de indústrias altamente poluentes, do uso de fertilizantes químicos, da queima de combustíveis fósseis.

Abatem-se florestas que são o pulmão do planeta, apoiam-se projetos de mineração a céu aberto, como está a acontecer em Portugal com a exploração do lítio e de outros minerais. Para além da contaminação dos solos e da água e da destruição ambiental, transformam terrenos agrícolas em crateras, libertam poeiras nocivas à saúde, contaminam a água e os solos e descaracterizam a paisagem à volta das aldeias.

As mulheres têm tido um papel fundamental nas lutas contra a mineração em Portugal, porque são elas que resistem à desertificação das aldeias, protegem as comunidades e estão na linha da frente das principais lutas ambientalistas. A crise energética, que já piorou devido à guerra na Ucrânia, servirá agora para legitimar, mais ainda, a destruição de cerca de ¼ do nosso território com projetos mineiros.

As alterações climáticas estão aí, afetando as nossas vidas. Tempestades, cheias desastrosas, temperaturas elevadíssimas, destroem casas, causam mortes fora do tempo. Secas calamitosas que transformam a terra produtiva, pronta a receber sementes, em terra gretada e árida. As mulheres, que vivem nas nossas aldeias de uma agricultura de subsistência, sentem no dia a dia esta situação.

Em todo o mundo, as mulheres são mais de metade da mão de obra agrícola e são, ainda, as principais utilizadoras de recursos naturais como a água.

Em muitos países africanos, as mulheres e as raparigas chegam a gastar mais de 8 horas diárias para transportar, entre 15 e 20 litros de água, por viagem, para poderem abastecer as suas casas. Quando se ausentam de casa durante muitas horas, estão sujeitas a violência doméstica por parte dos seus companheiros. Com as alterações climáticas têm de percorrer ainda mais quilómetros para conseguir encontrar um furo de água, muitas vezes, obsoleto.

O desigual acesso à água e a falta de infra-estruturas sanitárias afetam a vida das mulheres, constituindo obstáculos no acesso das raparigas à escola. As condições ambientais contribuem significativamente para a propagação de doenças contagiosas que muiats vezes resultam em morte.

A crise climática também se conjuga com a crise dos cuidados, porque as mulheres estão mais sujeitas a desastres climáticos extremos, devido ao seu esforço diário para garantir a sobrevivência alimentar da família e em serviços de cuidado, que deveriam ser públicos, mas onde as mulheres são predominantes e mal pagas. A valorização do trabalho reprodutivo, baixo em emissões de carbono e liberto da divisão sexual, constitui uma forma de construir uma sociedade mais solidária.

Ao mesmo tempo que somos as mais afetadas pela destruição da vida, têm sido as mulheres a liderar, cada vez mais, o combate às alterações climáticas, principalmente as mulheres indígenas que, historicamente têm vindo a cumprir um papel central na preservação das suas culturas e modos de vida, na proteção dos ecossistemas e da biodiversidade, lutando pela sustentabilidade dos recursos naturais. Têm-se insurgido, diariamente, contra a desflorestação, a mineração, a construção de barragens, termo-elétricas, minas e comboios turísticos, contra a contaminação de rios e lagoas.

O atual modelo de desenvolvimento económico, assente no chamado "progresso", que tem por base a destruição da natureza e a sobre-exploração de recursos naturais, tem vindo a ser acompanhada pelo aniquilamento e repressão dos povos indígenas e dos seus modos de subsistência e de vida.

A UMAR, que recebeu em Coimbra e S. Pedro do Sul, a Caravana Zapatista, em Portugal (novembro de 2021), opõe-se veementemente à ofensiva repressiva que, à escala global, persegue, criminaliza e assassina os povos indígenas que têm protegido a vida de todas e todos nós que vivemos neste mundo.

Por esse motivo, a UMAR está com os povos originários que resistem e lutam por um mundo mais justo, igualitário e com base na preservação da vida, tal como as companheiras zapatistas, do México e as mulheres curdas de países do Médio Oriente e tantas outras, que arriscam as suas vidas por todos e todas nós e cuja coragem e força nos inspira a lutar.

A 25 de março haverá a Greve Climática Estudantil na defesa de uma transição energética justa, que defenda os ecossistemas e a Vida no Planeta. A UMAR apela à mobilização de mulheres e raparigas para esta ação.

ECOFEMINISMO EM DEFESA DA NOSSA CASA COMUM - O PLANETA TERRA!
ESTE É O NOSSO TEMPO E É AGORA QUE TEMOS DE ATUAR!

Lisboa, 7 de março 2022
A direção da UMAR