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PROGRAMA aprovado em Assembleia Geral de 30 de maio de 2021 - UMAR 2021/2024

POR UM FEMINISMO DE INTERVENÇÃO: DESAFIOS ATUAIS E FUTUROS

A nossa identidade feminista


A UMAR faz parte de um feminismo histórico que preserva a memória. Sem memória não há feminismos. Somos por um feminismo que age no presente e se abre ao futuro, tendo em consideração novas ideias e outras áreas de intervenção como a ecologia.

Somos feministas de esquerda com a convicção de que os sistemas patriarcal, colonialista e capitalista estão nas raízes de todas as discriminações e opressões. Identificamos todos os sistemas opressores que combatemos através da (re)construção de resistências. Por isso, o nosso feminismo é também antirracista, anti-lgbtfóbico, anti-capacitista, anti-idadista, antifascista e ecologista. A crise ecológica planetária é o capítulo mais recente da história do capitalismo, por isso defendemos um ecofeminismo social contra a dominação patriarcal e capitalista.

Distanciamo-nos do feminismo liberal porque o nosso feminismo não é de slogans. Materializa-se nas lutas diárias das mulheres e de todas as pessoas que sofrem discriminações.

Somos um feminismo atento às múltiplas discriminações e, por isso, interseccional, que cruza os direitos das mulheres trabalhadoras em diversas áreas, não esquecendo as mais precárias e invisibilizadas: as mulheres migrantes, as mulheres racializadas, as trabalhadoras domésticas e de limpeza, as trabalhadoras dos cuidados, as mulheres rurais, as mulheres de diferentes etnias, entre as quais as ciganas, as mulheres trans, as trabalhadoras do sexo, as mulheres em situação de sem abrigo, as mulheres presas.


Reclamamos o reconhecimento social do trabalho não remunerado das mulheres em casa, na reprodução social da vida e o equilíbrio na partilha desse trabalho entre homens e mulheres. Trazemos a perspetiva feminista para os cuidados, o que significa que a responsabilidade dos cuidados não pode recair unicamente sobre as mulheres, porque isso é colocá-las numa posição favorável à sua desvalorização pelo patriarcado. Para isso, reivindicamos creches e jardins de infância públicos e outros equipamentos e respostas sociais neste âmbito, que possam ser complementados com alternativas comunitárias de organização do trabalho reprodutivo.

Defendemos um feminismo inclusivo e interseccional, aberto a alianças que respeitem a identidade de cada associação e coletivo feminista, na perspetiva de uma pluralidade sempre em mudança. Gostamos de refletir e de construir pensamento com a ação, um feminismo que instiga à autocrítica e reflexão constante.

A desconstrução do binarismo de género, a despatologização das identidades trans e o combate acérrimo à violência transfóbica ampliam a agenda feminista que inclui outras mulheres invisibilizadas pelo próprio sistema, tais como as mulheres racializadas, pobres, rurais, idosas, lésbicas, bissexuais, com diversidade funcional e trans.

O nosso feminismo é internacionalista e procura inserir as lutas globais no contexto social e cultural do país.

Ao considerarmos como direitos fundamentais o direito ao emprego sem discriminações, o direito a uma habitação digna e a uma vida sem violências de género, o nosso feminismo constrói espaços de diálogo com instituições públicas, mas também confronta os poderes políticos instituídos, exigindo a concretização destes direitos.

Representamos um feminismo comprometido social e politicamente com os direitos fundamentais e combatemos as desigualdades de género e sociais.

Só um feminismo crítico e interseccional favorece a construção de uma sociedade onde sejam discutidas e contempladas as diferenças e as singularidades das pessoas, e na qual se articulem os diferentes eixos de identidade social (e.g., sexo/género, sexualidade, raça/etnia, idade, classe, nacionalidade, etc.), colocando novos desafios para a concretização efetiva de princípios como a igualdade, a justiça social e a democracia.

Somos feministas atentas perante as injustiças sociais e as discriminações. Somos um Feminismo de Agência que constrói a sua agenda política, ouvindo efetivamente as vozes das mulheres.

Queremos um Futuro sem discriminações e sem medos! O nosso feminismo insere-se na luta mais geral do povo português contra a opressão, pela democracia e pela liberdade.

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