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8 de março | Juntas com a força das nossas reivindicações!
Foi há muitos anos que milhares de trabalhadoras se levantaram com a força das suas reivindicações: 8 horas de trabalho, condições de trabalho dignas, igualdade salarial.

O percurso tem sido longo, com avanços e recuos, períodos de maior visibilidade dos feminismos na sua pluralidade e silêncios ainda não quebrados. De facto, nas palavras da filósofa e ativista Angela Davis, "a liberdade é uma luta constante", assim como para a Simone de Beauvoir, ela é "(...) a nossa própria substância", pelo que não devemos aceitar qualquer sujeição. E, como afirmou a feminista negra e lésbica Audre Lorde: "Eu não sou livre, enquanto alguma mulher não o for".

Neste 8 de março, não podemos deixar ninguém para trás com as suas reivindicações que são múltiplas, porque são múltiplas as discriminações que ainda recaem sobre as mulheres. Como afirma Maria Gil, ativista feminista de etnia cigana: "Ainda há muitas vozes por ouvir".

O sistema em que vivemos, patriarcal e de capitalismo selvagem, destrói o planeta, exacerba o racismo, a homofobia, a transfobia, promove a violência, invisibiliza e agride quem é diferente, quem sofre com a falta de uma vida autónoma na deficiência, quem quer viver de acordo com a sua identidade e expressão sexual, quem vem de outros países a fugir à fome e à guerra, e faz das mulheres as suas principais vítimas.

A falta ou o não reconhecimento de direitos abrange todas as mulheres, desde as trabalhadoras da área social, da saúde, às do setor terciário, mas sobretudo as dos setores da economia invisível, as empregadas domésticas, da limpeza, as cuidadoras informais, trabalhadoras do sexo, bem como as mulheres das zonas rurais, mulheres em situação de sem-abrigo, mulheres imigrantes, mulheres trans.

A situação pandémica tem agravado todas as discriminações e desigualdades.

A precariedade, o desemprego, a sobrecarga com o trabalho em casa e de educação das crianças têm o rosto de milhões de mulheres em todo o mundo. Em muitos países, jovens raparigas sofrem mutilação genital feminina e são casadas à força. São também as mulheres que mais sofrem com os efeitos devastadores da crise ambiental.

Apelamos à solidariedade com a greve feminista internacional, compreendendo os constrangimentos na sua adesão plena pelas questões sociais e económicas que se colocam, resultantes da situação pandémica e do confinamento.

A força das nossas múltiplas reivindicações passa por exigir:
- Direito a uma habitação digna, pois existem muitas mulheres em situação de sem-abrigo que vivem em condições desumanas com as suas crianças;
- Campanhas contra a mentalidade machista, sexista e misógina, que está na base da violência contra as raparigas e mulheres na intimidade, do assédio e da violência sexual;
- Afastamento dos agressores de Violência Doméstica da casa de morada de família, aquando da denúncia do crime, com aplicação de medida de afastamento que proteja as vítimas deste crime;
- Fim dos despedimentos com base na discriminação de género e da precariedade, possibilitando a subida nas carreiras e o acesso a lugares de decisão;
- Direito à igualdade salarial e a salários dignos;
- Direitos para as/os cuidadoras/es informais, nos serviços de apoio e domésticos, realizados, maioritariamente, por mulheres imigrantes e/ou racializadas;
- Valorização do trabalho de reprodução social, com estímulo para a partilha de tarefas e para a criação de serviços públicos de apoio;
- Direito a cuidados de saúde dignos e humanizados, que respeitem a autonomia das mulheres e a sua soberania sobre os próprios corpos;
- Garantia de condições para que as pessoas com deficiência tenham direito a uma vida o mais autónoma possível;
- Intransigência legal e social face ao racismo e à ciganofobia, estimulados por discursos xenófobos e pela extrema-direita;
- Combate à transfobia, lesbofobia e bifobia, porque cada pessoa é livre de protagonizar a sua própria vida sem sofrer discriminações;
- Defesa da biodiversidade e dos recursos naturais do planeta, do direito à terra, à água e à soberania alimentar.

Estas reivindicações podem desmultiplicar-se em muitas outras, mas surgem como aglutinadoras da nossa força neste 8 de março.

A UMAR apela a uma mobilização reivindicativa nas redes sociais, que faça eco destas e de outras contestações feministas para este 8 de março.

Dando corpo ao mote "se as mulheres param, o mundo para", apelamos à adesão da campanha #SeEuParar - divulgação livre e espontânea de um pequeno vídeo que explique "Se eu parar... (o que fica por fazer)?" - que tem como objetivo potenciar a consciencialização coletiva do trabalho produtivo e reprodutivo exercido pelas mulheres e criar uma maré feminista agregadora de todas as atividades que terão lugar no dia 8 de março.

Juntas, pela liberdade, com a força das nossas reivindicações!