Carmo Bica (1963-2020), uma dor irreparável!
Memorial Carmo Bica final

Sorriso aberto e irradiante, quando falava das causas em que acreditava.
Olhar vivo de menina atenta ao que a rodeava.
Irreverência contagiante.
Mulher guerreira,
Sensível às injustiças e aos atropelos à democracia.
Mulher de muitas lutas e várias causas com olhares de esquerda sobre o mundo e a sociedade.
Sensível aos problemas das mulheres rurais e às desigualdades no interior do país, onde tem as suas origens familiares, em Vouzela.
Engenheira agrícola, com ela aprendíamos muito sobre agricultura, silvicultura, florestas, sobre uma visão do mundo rural baseada num desenvolvimento local com o envolvimento das populações.
Feminista, porque para ela a força da mudança estava nas mulheres.
Mulheres de vários setores sociais, nunca se esquecendo das camponesas, das mulheres que faziam uma agricultura de subsistência sem quaisquer apoios.
Por isso dizia-nos, às feministas mais urbanas: não se esqueçam delas!

Querida Carmo,
Não nos vamos esquecer das tuas ideias, das tuas palavras, da tua força, das tuas convicções, mesmo quando difíceis de concretizar.
Porque para ti as barreiras, os obstáculos eram para ultrapassar.
Que o teu exemplo perdure entre nós para todo o sempre!

*Maria do Carmo Bica era associada da UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta tendo colaborado em atividades tais como a sessão com mulheres de zonas de rurais em São Pedro do Sul (2019) ou como autora do texto "As Múltiplas Discriminações das Mulheres: Na Agricultura e Desenvolvimento Rural" para o livro "As Vozes que se Entrecruzam" do projecto Memória e Feminismos da UMAR, lançado em 2020.

Também esteve connosco em manifestações em Lisboa contra a violência sobre as mulheres (25 nov 2019), no 8 de março de 2020 e na última Assembleia Geral Ordinária da UMAR, a 21 de junho.

A Direção da UMAR
18 de agosto de 2020