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Género e Educação
Género e Cidadania nas Imagens de História
A ausência de discriminação formal e a melhoria do panorama geral da presença das
mulheres no sistema educativo têm contribuído para alimentar um discurso generalizado
sobre o sucesso escolar das raparigas alheio à forma como este corresponde a um
sucesso educativo e se traduz, ou não, em sucesso social.
Pelo seu carácter estruturante e decisivo na construção identitária de alunas e alunos,
bem como no desenvolvimento de conhecimentos e competências, a Escola é, por
ventura, o exemplo mais paradigmático de como não basta garantir a igualdade de
oportunidades para construir a igualdade de género, de como a igualdade só poderá ser
alcançada mediante a integração da dimensão da igualdade de género a todos os níveis
do sistema educativo.
A Educação constitui um dos principais domínios científicos onde os Estudos de
Género têm tido maior receptividade em Portugal, dando lugar a um número crescente
de especialistas que aliam competências no domínio da igualdade de género e da
educação. Neste âmbito se enquadram os trabalhos de investigação que desde a mesma
data têm vindo a ser realizados em torno dos materiais pedagógicos utilizados em
contexto escolar.
O manual escolar e, mais recentemente, o produto multimédia educativo constituem
poderosos veículos de transmissão das representações sociais dominantes, podendo
contribuir para a reprodução e o reforço dos estereótipos sobre a feminilidade e a
masculinidade ou, pelo contrário, para a desconstrução destas concepções estereotipadas
e para a promoção da igualdade entre mulheres e homens.
Esta é também um requisito para a promoção dos valores de cidadania junto de jovens
de ambos os sexos e para a integração no processo de construção da sua identidade
individual e social de uma concepção de si e do outro como igual.
Esta preocupação assume especial relevância no actual quadro legislativo em torno da
necessidade de garantir a qualidade dos manuais escolares dos ensinos básico e
secundário. De facto, os manuais escolares não poderão ser considerados de qualidade
se incorporarem conteúdos, linguagem e imagens sexistas e veículadores de estereótipos
ou, simplesmente, se não atenderem à dimensão da igualdade de género.
Ao publicar este estudo a Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres
pretende contribuir para difundir, mais uma vez, o conhecimento e alimentar a reflexão
sobre uma das temáticas que considera mais fundamentais para o progresso da
igualdade entre mulheres e homens.
Fá-lo também consciente de que uma cidadania democrática, entendida como a
assunção e o exercício, por mulheres e homens, dos seus direitos e responsabilidades na
sociedade, só poderá ser alcançada através da valorização da diversidade social e
cultural e da construção da igualdade entre mulheres e homens enquanto parte
integrante dos direitos humanos fundamentais.
Pedidos para CIG – cig@cig.gov.pt. |