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CARTA ABERTA
NOMEAÇÃO DOS MEMBROS EXTERNOS PARA O CONSELHO GERAL DA UNIVERSIDADE DO MINHO
O Núcleo de Braga da União de Mulheres Alternativa Resposta (UMAR) vem por este meio manifestar a sua discordância relativamente ao processo de nomeação de elementos
externos para o Conselho Geral da Universidade do Minho.
Esta instituição de ensino convidou, na verdade, seis membros externos para integrar
este órgão: os ex-ministros Laborinho Lúcio, João Salgueiro e Luís Braga da Cruz, bem como o
investigador de neurobiologia Alcino J. Silva, o empresário António Pacheco Murta, e o
programador artístico e cultural, João Fernandes.
Não pretendendo colocar em causa o mérito dos nomeados, a UMAR questiona e
contesta veementemente a ausência de nomeações de mulheres para o órgão colegial máximo
de governo e de poder decisório da Universidade do Minho, o Conselho Geral. Não terão as
mulheres mérito para ocupar tais posições na hierárquica institucional? Por que razão as
nomeações incidiram somente em homens? Quais os critérios tomados em consideração?
Não obstante o crescente reconhecimento da inclusão da perspectiva de género na
constituição de órgãos institucionais, a Universidade do Minho privilegiou exclusivamente
homens, ignorando mulheres com mérito, reconhecimento nacional e idoneidade para exercer
as suas incumbências. Esta visão androcêntrica é particularmente grave quando acontece
numa universidade pública, que constitui um espaço de produção de conhecimentos e
formação de mentalidades. Como instituição sem muros, a Universidade do Minho deveria ser
pioneira na inclusão da perspectiva de género que, não colidindo com a meritocracia, contribui
para uma instituição mais diversificada e igual.
Este último processo de nomeações mostra eximiamente a prevalência de um sexismo
institucional que dá preferência aos homens, exclui as mulheres e favorece a perpetuação de
relações de poder desiguais, cujos corolários tendem a reflectir-se na comunidade académica,
nomeadamente nos/as estudantes.
Recusamos, deste modo, a conivência com:
a) A ausência de transparência no processo de nomeação, nomeadamente quanto aos
critérios de selecção;
b) A inexistência de um júri moderador e supervisor que garantisse a imparcialidade,
transparência e justeza;
c) O abuso de posições de dominância na nomeação de elementos externos;
d) A exclusão da perspectiva de género na composição do órgão, tendencialmente
adoptada a nível institucional;
e) A incipiência da consciência social que tende considerar a inclusão da perspectiva de
género como contrária à meritocracia.
A UMAR considera importante a imparcialidade e transparência do processo de
nomeação destes membros, bem como o estabelecimento de critérios rigorosamente
definidos que permitam acesso igualitário aos cargos disponíveis.
Com este documento, a UMAR espera contribuir para a promoção de processos
institucionais não-discriminatórios, tornando a Universidade do Minho uma instituição, de
facto, sem muros.
A UMAR aproveita ainda para congratular as personalidades nomeadas, que pelo e
com o seu mérito permitam uma realização plena e civicamente consciente das suas
responsabilidades.
União de Mulheres Alternativa e Resposta | Núcleo de Braga
Braga, 18 de Maio de 2009 |