Comunicados de Imprensa

No final de 2007, o Procurador Geral da República, Fernando José Matos Pinto Monteiro falou de violência e neste sentido, formulou desejos e pedidos como é hábito formular-se nesta época. Um desses pedidos foi para as Juntas de Freguesia: um pedido de ajuda para que denunciem todos os crimes de violência contra idosos. Congratulamo-nos com este pedido. Como poderemos chamá-lo? Denúncia de proximidade ou denúncia de exclusividade?
A UMAR considera que este apelo é reducionista. Não porque a denúncia de violência sobre idosos não deva fazer-se. Mas porque devem também ser denunciados todos os actos de violência exercidos sobre qualquer pessoa que deles seja vítima.
Porque sabemos a importância simbólica e política das palavras duma pessoa com um papel social tão relevante como é o do Procurador Geral da Republica, a UMAR considera que ele deveria reformular o seu pedido e apelar às Juntas de Freguesia e à população em geral para que denunciem qualquer tipo de violência e discriminação: sobre mulheres, sobre crianças, sobre pessoas com deficiência, sobre pessoas idosas, sobre pessoas com diversa orientação sexual.
Disse ainda o Senhor Procurador Geral da Republica que a violência contra as mulheres e as crianças já dispõe de meios de grande censura social. Mas os números e as notícias estão aí para provar que a censura social tem sido ineficaz para diminuir e impedir a violência doméstica! A censura social fica à porta de casa e não impede as mulheres de serem agredidas e mortas. A censura social fica à porta da vida de muitas mulheres, apagando a sua participação na vida social, politica e familiar, tornando-as dependentes e desiguais, e condenando algumas à enfermidade e à morte!
A UMAR apela ao senhor Procurador Geral da República para que peça às Juntas de Freguesia e aos cidadãos e cidadãs em geral para que exerçam os seus direitos de cidadania denunciando qualquer tipo de crime de violência bem como qualquer acto de discriminação. Queremos acreditar que o Senhor Procurador Geral da Republica não vai deixar as vítimas às mãos duma qualquer entidade abstracta, chame-se ela censura social ou tolerância face à cultura patriarcal.

Lisboa, 7 de Janeiro de 08