Comunicados de Imprensa

A notícia veio a público:
“Homem mata esposa com picareta no Cabouco.
Um indivíduo atacou a esposa com uma picareta quando esta se encontrava a dormir.”
Foi na noite de Sábado para Domingo, de 26 para 27 de Abril. Ano 2008.

A UMAR Açores manifesta o seu protesto e indignação contra o assassinato desta mulher pelo próprio marido.
Não é uma questão passional ou de ciúme. O que mata não é o ciúme. O que mata é a violência doméstica, o controlo e agressividade exercidos pelo agressor. O que mata é também a indiferença e a apatia, nas quais se encontra o terreno fértil para que este problema continue a existir em muitos lares, que se tornam antros de medo e, neste caso concreto, de morte!
Por isso, fazemos um apelo público para a necessidade de consciencialização da gravidade do problema da Violência de Género, de solidariedade para com as mulheres que vivem a realidade da violência, e a denúncia de situações que conheçamos porque ESTA VIOLÊNCIA TAMBÉM.

Manifestamos igualmente a nossa solidariedade e sentidos pêsames para com a família e entes queridos desta mulher.

Contra as violências feitas às mulheres
Nem mais uma!
Identificamo-nos com a Marcha Mundial das Mulheres que decidiu lançar uma “campanha contra as violências feitas às mulheres”. Esta campanha teve início em 25 de Novembro de 2007 e teve como instrumento principal uma braçadeira com as palavras: Nem mais uma!
Identificamo-nos com esta campanha e com esta braçadeira, para que a mesma “diga respeito a toda a gente, homens e mulheres, que façam alguma coisa para mostrar ira, solidariedade e empenho, ao lado de todas as mulheres vítimas de violências; e denunciem os homens agressores que não devem contar nem com o nosso apoio nem com o nosso silêncio”.
Identificamo-nos com a Marcha Mundial das Mulheres ao propor: “De cada vez que uma mulher for agredida, violentada, assassinada, usaremos esta braçadeira durante um dia” na escola, na rua, no trabalho e que “se tornasse um rito político, uma nova forma de denúncia pública.”
Identificamo-nos com a Marcha Mundial quando declara: “Em tempo de paz como em tempo de guerra, as mulheres são alvo de atrocidades pela simples razão de serem mulheres. Milhões de mulheres são espancadas, violadas, assassinadas, agredidas, mutiladas, ou mesmo privadas do direito de existir. Para tal, todos os pretextos são bons: costumes, religiões, práticas culturais, ou a suposta superioridade do homem sobre a mulher.”
A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES É UMA FORMA DE OPRESSÃO GRAVE QUE CORRÓI TODAS AS SOCIEDADES DE TODOS OS PAÍSES DO MUNDO.
QUEREMOS PÔR FIM A ISTO!
QUEREMOS SEGURANÇA PARA TODAS AS MULHERES
POR TODA A PARTE, EM TODO O MUNDO!

A Direcção da UMAR Açores
Armanda Botelho
Clarisse Canha
Maria José Raposo
Sara Sarroeiras

É com dor e revolta que a Marcha Mundial das Mulheres contra a Violência e a Pobreza teve conhecimento da morte de mais uma mulher. Nem flores, nem coroas. Antes esta braçadeira!

De novo uma mulher foi assassinada. Eis o que significa esta braçadeira. Serve para exprimir a dor e a raiva contra esta terrível injustiça. Mas, desta vez, vamos torná-la visível e isso vai ser útil. Sempre que souber que uma mulher foi morta, coloque a braçadeira durante um dia e use-a no metro, na escola, no trabalho. Assim denunciará esta situação. Ao mesmo tempo, as mulheres que viverem este horror sentir-se-ão apoiadas e acompanhadas e, com um pouco de sorte, os homens agressores que a virem saberão que não poderão contar nem com o seu apoio nem com o seu silêncio.
Estamos de luto. Utilize esta braçadeira com respeito. Ela pode ser uma arma poderosa.