Comunicados de Imprensa
EM MEMÓRIA DE LISETE MOREIRA,
PELO ABORTO LEGAL E SEGURO
Conferência de Imprensa
28 de Junho, 14 h no Café Piolho, no Porto
Queremos homenagear, neste dia simbólico da luta pela legalização do aborto em Portugal, uma mulher que morreu de aborto na cidade do Porto. É habitual homenagearem-se mulheres de renome. Contudo, há muitas que são silenciadas para sempre. Queremos resgatar do silêncio a Lisete Moreira. Queremos prestar homenagem a TODAS as mulheres que morreram pela mesma razão e que permanecem silenciadas.
LISETE morreu em consequência de complicações por aborto ilegal e inseguro a 8 Março de 1997. Paradoxalmente, a questão estava a ser discutida na Assembleia da República e a lei pela despenalização do aborto não passou pela diferença de um voto.
A 3 de Março de 2004, na Assembleia da República, a coligação de direita PSD/CDS-PP recusou aprovar um referendo que desse a palavra às cidadãs e aos cidadãos portugueses sobre a alteração da actual lei do aborto que criminaliza as mulheres e as coloca em tribunal. Em Maio de 2005, Jorge Sampaio vetou a promulgação do referendo porque, em seu entender, o texto provisório da Constituição Europeia era mais importante do que as vidas das mulheres.
Os julgamentos, as humilhações, as consequências na saúde das mulheres e até, no caso da Lisete, a morte, apenas “incomodam” o poder político.
Algumas destas consciências “incomodadas” dos defensores do Não à legalização do aborto estão a lançar uma petição para suspensão dos julgamentos, deixando tudo na mesma. Ou seja, não lhes interessa se as mulheres morrem ou sofrem de problemas na sua saúde por abortos ilegais e inseguros. No entanto, temos de levantar a nossa voz para que nenhuma mulher morra por um aborto ilegal e inseguro. Nós dizemos: se querem suspender os julgamentos, suspendam-nos definitivamente: legalizemos o aborto a pedido da mulher!
PELO ABORTO LEGAL E SEGURO PARA TODAS AS MULHERES!
UMAR, 28 de Junho 2006
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