Comunicados de Imprensa

Milhares de mulheres e homens organizados em movimentos sociais, redes, sindicatos e associações realizam por todo o mundo, a 26 de Janeiro, o Dia de Acção Global. Respondem aos apelos do Fórum Social Mundial que desde 2001 vem formulando propostas, partilhando experiências e organizando acções em contraponto ao neoliberalismo e ao sistema económico dominante, o qual não pára de aprofundar o patriarcado.
Acções marcadas pela diversidade espelham as realidades locais e específicas. ao mesmo tempo que têm como objectivo comum lutar por um mundo melhor. A UMAR quer neste dia integrar-se neste acto global, reafirmar a sua solidariedade com as mulheres do mundo que continuam a sofrer discriminações, violências e todo o tipo de violação dos direitos humanos. Neste ponto, queremos, entre outras, referir as mulheres trabalhadoras, as imigrantes, as com diversa orientação sexual, as refugiadas que fogem à guerra e aquelas que fogem das suas próprias casas, como forma de fugir aos agressores.
Em Portugal, denunciamos os números e as notícias sobre violência contra as mulheres, os quais não poucas vezes significam incapacidade física irreversível ou morte. Não podemos mais silenciar ou tolerar esta situação. Uma sociedade livre e democrática não pode pactuar com esta violação dos direitos. É com algum espanto que assistimos à abordagem minimalista da violência sobre as mulheres por parte do Procurador Geral da República. A “censura social” a que se refere não tem sido impeditiva das agressões e mortes de mulheres por todo o país. A censura social fica à porta da vida de muitas mulheres, apagando a sua participação na vida social, politica e familiar, tornando-as dependentes e desiguais.
A UMAR exige que personalidades com visibilidade e responsabilidade na sociedade portuguesa tenham intervenções pedagógicas e de reforço dos direitos cívicos. A UMAR com trabalho diário e concreto com mulheres vítimas de violência considera que a prioridade terá de ser a prevenção e a sensibilização da sociedade contra a violência doméstica. A UMAR exige que se tomem medidas políticas e legislativas concretas para que se assegure efectivamente a segurança das mulheres vítimas de violência doméstica. Porque não podemos ser coniventes com o modo como se tratam as mulheres vítimas que para deixarem de o ser passam a ser refugiadas no seu próprio país. Porque continua-se a exigir a mulheres e crianças que saiam das suas casas, abandonem os seus trabalhos e escolas, abandonem as suas comunidades e cortem os seus laços afectivos como a única forma de se poderem proteger do actor do crime.
Em Portugal e no mundo, a UMAR com outras organizações dos movimentos sociais quer reforçar os laços de solidariedade e apela à mobilização por um mundo sem violência, exploração, exclusão, pobreza e desigualdade.

26 de Janeiro de 08