Campanhas & Acções

NÃO À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
8 de Março de 2003 - Dia Internacional da Mulher

Em Portugal, também há mulheres obrigadas a usar burka.
A velar a face, a cobrir o corpo, cada vez que saem.
Pior ainda, a temer sair.
Mulheres na clandestinidade.

Escondidas em casas cuja morada permanece secreta. Disfarçando a identidade. Afastando-se das janelas. Cobrindo o rosto, se razão de força maior as obriga a sair.
Não, não o fazem por razões de crença ou religião. Não se escondem de nenhum fundamentalismo. Na verdade, podem ser uma qualquer de nós.
Mulheres a quem a violência atingiu na própria casa. Mulheres cujo agressor foi aquele com quem escolheram viver. Mulheres que enfrentam perigo, até de morte, se aqueles de quem fogem conseguirem encontrá-las.
Outras não têm a mesma sorte. Não conseguiram ainda encontrar lugar seguro onde se ocultem e sofrem, todos os dias, em silêncio, o terror de uma agressão.
Porque elas não têm voz, nem rosto, nem podem ter identidade, vamos emprestar-lhes os nossos. E pedimos que se junte a nós, que lhes empreste também a sua voz, o seu rosto, o seu nome.
A violência doméstica não é, não pode ser, uma questão privada. É um crime público - aliás, já consagrado na lei - , uma questão de cidadania. Porque estas mulheres paralisadas pelo medo - e pela vergonha desse medo - são cidadãs sem direitos. Cidadãs que vivem à margem da democracia, para quem o 25 de Abril nunca chegou.
No dia 8 de Março, vamos falar em nome destas mulheres. Vamos lembrar as mulheres veladas que vivem ao nosso lado. Vamos dizer que o 25 de Abril tem de se dar também na vida privada. Vamos dizer que a violência doméstica é, não só um acto de barbárie, mas um atentado à democracia e à igualdade de direitos.
Junte-se a nós às 15 horas, no Largo de Camões, em Lisboa. Para dizer "Não!" à violência doméstica. Para dizer "Sim!" à solidariedade com as suas vítimas. Para dizer "Basta!" aos agressores.
Contamos consigo. Porque a vida destas mulheres nos diz respeito. Porque é de direitos e de cidadania que se trata. Porque é de cultura e de civilização que se trata. Porque enquanto houver em Portugal uma pessoa oprimida, nenhum de nós é inteiramente livre.

Este texto é um resumo de um documento mais vasto.
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